Minha jornada

Não passei porque sou gênio. Passei porque parei de confiar na sorte.

Levei anos para entender o que os aprovados faziam de diferente. Esta é a história inteira — inclusive as partes que não dão orgulho.

Em uma frase

Sou Técnico Judiciário do TRT2 desde 2012. Tentei seis vezes a vaga de Analista de TI entre 2018 e 2025, reprovando e classificando longe, até passar em 6º lugar entre 1.822 candidatos no TRT2 — e ainda aguardo a nomeação.

A linha do tempo real

  1. 2006

    Primeiro concurso, primeiro emprego público

    Entrei na Prefeitura de Mogi das Cruzes como Auxiliar de Apoio Administrativo. Trabalhei em escolas, na Secretaria de Educação e, por um tempo, numa divisão de informática.

  2. 2012

    Posse no TRT2

    Aprovado num concurso atípico de 2008, fui nomeado Técnico Judiciário do TRT2 e entrei em exercício em 13/07/2012. Mais tarde fui trabalhar na área de tecnologia do tribunal, onde estou até hoje.

  3. 2018

    Primeira tentativa para Analista de TI — reprovado

    Prestei o TRT2 para Analista de TI com excesso de confiança. Reprovei na objetiva; a discursiva nem foi corrigida. Foi a primeira lição: eu não fazia ideia do que o jogo realmente exigia.

  4. 2023

    TRF3 — cheguei à discursiva e caí

    Viajei para o Mato Grosso do Sul para fazer a prova. Passei na objetiva, mas não alcancei a nota mínima no estudo de caso. A discursiva começava a virar meu calcanhar de Aquiles.

  5. 2023

    TRT12 e Justiça Eleitoral — classificado, longe demais

    Classifiquei em 170º no TRT12 e em 144º na Justiça Eleitoral. Aprovação no papel, sem chance real de nomeação. Evolução, mas ainda faltava algo.

  6. 2024

    O ano mais difícil

    Perdi meu irmão. Foi um ano em pedaços. Não ter podido fazer mais por ele virou, à sua maneira, combustível para buscar uma vida melhor para a minha família.

  7. 2025

    TRT15 — o fundo do poço

    Concurso pesadíssimo, voltado para infraestrutura. Não classifiquei nem na objetiva. A sensação de evolução evaporou. Foi aqui que eu falei: ou eu mudo o que faço, ou não passo nunca.

  8. 2025

    TRT2 — 6º lugar. A virada.

    Meses depois, no tribunal onde já trabalho há mais de uma década, fiz 3º na objetiva e fechei em 6º na classificação final, entre 1.822 candidatos. Foi o resultado direto de fazer o desconfortável: estudar o que eu evitava e levar a redação a sério.

  9. Hoje

    Transformando a virada em método

    Com o concurso homologado e a aprovação na mão, decidi registrar tudo o que me tirou do quase e me colocou entre os primeiros. É o que você encontra neste site, organizado para te poupar os anos que eu perdi.

O que mudou entre o reprovado de sempre e o aprovado eventual

Por anos eu estudei do jeito confortável: assistia às aulas, lia, achava que tinha entendido — e seguia em frente. O problema é que entender na hora não é o mesmo que lembrar na prova. Quando o TRT15 me reprovou nem na objetiva, a ficha caiu.

Fui estudar o que os primeiros colocados faziam. Não era nada mágico. Era chato, repetitivo e desconfortável. Era exatamente o que eu vinha evitando:

  • Revisão sistemática — sair de cada sessão com um artefato para revisar depois: um resumo, um flashcard, um mnemônico.
  • Flashcards manuscritos, com desenhos e sínteses extremas, que viraram minha forma favorita de reter número e decoreba.
  • Estudo ativo — explicar o conteúdo em voz alta, ensinar, usar a técnica de Feynman (inclusive com IA) para descobrir onde eu travava.
  • Questões com meta — manter o percentual de acerto acima de 80%, usando o erro como mapa do que revisar.
  • Redação levada a sério — paguei um pacote de correções com professora e treinei muito, porque a discursiva já tinha me derrubado antes.
As disciplinas que você odeia são exatamente as que mais precisa estudar. Eu só passei quando comecei a encarar o que evitava.

Não existe receita universal. O que funcionou para mim foi equilibrar conteúdo específico e redação, respeitar o edital sem extrapolar, e aceitar que retenção — não volume — é o que aparece no gabarito.

Meus maiores erros

Excesso de confiança em 2018. Negligenciar a discursiva por anos. Estudar só o que eu gostava. Confundir “passar os olhos” com “revisar”. Cada um desses erros tem um capítulo próprio no Diário de Aprovação — porque errar e entender por que erramos faz parte do método.

O que eu faria diferente se começasse hoje

Começaria pelo edital e pelas provas anteriores no primeiro dia. Montaria um sistema de revisão antes de acumular matéria. Treinaria redação desde o início, não às vésperas. E cuidaria da saúde mental como parte da estratégia — porque mente cansada não retém.

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